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A importância de ser sindicalizado
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Contribuição assistencial e mensalidade sindical
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Aos funcionários das escolas de idiomas
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Atenção Auxiliares de Administração Escolar
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    Notícias

    11/11/2019
    Por que mês da Consciência Negra e não da consciência humana?
    por Anatalina Lourenço e Rosana Fernandes

    Por que precisamos do Dia da Consciência Negra? E consciência negra é só pra negros? Qual a dificuldade em entender o sentido da data? Perguntas oportunas e necessárias para entender o Brasil, o que foi a escravidão e os seus efeitos na formação da sociedade brasileira. No país, os negros representam 54% da população, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No grupo dos 10% mais pobres, os negros representam 75% das pessoas, mas entre o 1% mais rico, somam apenas 17,8% dos integrantes.

    Disfarçar o racismo com a história de “consciência humana” é o mesmo que revigorar o mito da democracia racial e condenar o povo negro a outros séculos de exclusão e desigualdade. Em outras palavras: não há nada mais racista do que diminuir a importância do mês da Consciência Negra, principalmente o dia 20 de novembro, dia de Zumbi. Esta data, mais do que mero parágrafo em livros de História, é um esforço para a construção social, o desenvolvimento da identidade em pessoas negras.

    Bolsonaro: um racista declarado no controle do país

    Em primeiro lugar precisamos entender que vivemos um novo momento político, social e cultural no Brasil marcado por um tsunami conservador, elitista e racista. Como consequência desse momento o país elegeu um racista como presidente. Bolsonaro representa um retrocesso na emancipação da população negra, que vinha ocorrendo com os programas sociais. Ele despreza a consciência negra e diz que é “coitadismo”. Nega a escravidão e a consequente dívida histórica dizendo: Eu nunca escravizei ninguém na minha vida (…) O negro não é melhor do que eu, e nem eu sou melhor do que o negro.

    O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão em 1888. O tráfico de escravos e os trabalhos forçados de milhões de africanos deram as bases para o desenvolvimento do capitalismo no país.

    Na contra mão da história, Bolsonaro declarou que não acredita que a escravização do povo negro foi realizada e patrocinada pelos europeus. Essa ideia tem como objetivo concreto negar qualquer possibilidade de reparação histórica, política, econômica e social. Não por outro motivo seu governo é contra as cotas nas universidades e qualquer outra política afirmativa ou de reparação.

    As classes dominantes sempre tentaram passar a ideia de que no Brasil existia uma democracia racial, ou seja, que as tensões raciais do período escravocrata foram superadas por uma relação harmoniosa entre brancos e negros, o que fazia do Brasil um experiência racial diferente dos EUA e da África do Sul, mas é só olhar como vive a população negra para que a desigualdade fique totalmente aparente.

    Não podemos tratar Bolsonaro como mais do mesmo. Ter um governo declaradamente racista nos impõe novas estratégias para enfrentar o combate às desigualdades.

    A defesa da vida da juventude negra e das cotas nas universidades são fundamentais, além disso, precisamos aumentar nossa capacidade de articulação com outros movimentos sociais em defesa das liberdades democráticas e direitos sociais. É hora de defender as conquistas que tivemos no período dos governos Lula e Dilma, pensando coletivamente nossas novas estratégias e alianças com os demais setores explorados e oprimidos.

    A violência é um problema social dos mais alarmantes em nosso país, porém, a construção de um país que tenha segurança só será alcançada quando a maior parte da população tiver acesso a direitos sociais mínimos, como saúde, educação, trabalho e acesso a cultura. Ao contrário disso, todas as medidas do atual governo Bolsonaro só fazem aprofundar a  condição de pobreza e violência em nosso país, quando com a sua proposta de Reforma da Previdência reafirma uma estrutura do Estado que mais se assemelha ao período anterior ao trabalho livre e assalariado. Ou seja, cada vez mais, parcelas importantes da população estão sendo jogadas numa condição que não permite a sobrevivência. A fórmula do atual governo parece uma equação simples: retirada de direitos sociais e legislação de extermínio de pobres e negros.

    É necessária justiça social. Não tem como tratar como igual os desiguais. O Brasil tem uma enorme dívida com os negros por isso é imperativo criar políticas de reparação para o crescimento, valorização, justiça e reconhecimento. O racismo é uma ferida aberta, consequência histórica, e irá sempre ser abordada até o dia em que as pessoas negras forem realmente livres. 

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